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PARA ALGUÉM QUE HOJE LEVA UM FARDO IMENSO

Em nossa vida não vamos sem mochilas. E há pedras nas mochilas. Há chumbo nas pedras. Mas mochilas também levam cantis, colchonetes, miojo. Nossas lágrimas, vão nas mochilas, num frasco de alma. Nossas dores vão nas mochilas, venenos pra fazer vacinas... nas mochilas. Mas mochilas levam também nossos sorrisos melhores, nossas cebolas, nossos Nerudas, o retrato de um filho querido... É tanta coisa que levamos, que, por vezes, mochilas nos derrubam. A queda vira um outro artefato, fardo novo, a ser levado. Mas mochilas tem auxílios. Servem de travesseiro, de escada, de abrigo... Nossos músculos ficam melhores, as vãs ingenuidades secam e se alguma pureza legítima em nós restar, mesmo no lamaçal, podemos ficar certos. Caminhamos transparentes, como seres de cristal... Fizemos nosso melhor... Por isso podemos enfrentar qualquer montanha escarpada e sombria. Levamos um sol na mochila. Ele custou sangue, ele ferveu dores, ele forjou-se em mágoas. Nós o merecemos. Na hora escura, o acenderemos... lareira de confortos.
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 09h59
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POSTADO PRA UMA AMIGA

Esse tempinho de
sol-chuva-neblina-tempestade-forno-freezer
é pra nos deixar mais espertos.
O corpo tem que aprender sobrevivências
e a mente exercitar adequações.
Casaco-camiseta, esquimó-tuareg...
Pinguim-camelo...
metamorfoses de nós, no mesmo dia.
Daí lembramos que somos nômades,
e que a vida é movimento.
Daí lembramos que as estações do coração
são as que mais valem.
O sol interior é o que conta.
Por isso, essenciais são
nossas primaveras de bolso.
Beijos.
*.*
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 09h39
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DICAS DE FILMES (dvd)
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SANGUE NAS ÁGUAS – Produção húngara dirigida por Kristina Goda. Elenco convincente, reconstituição de época competente e casamento brilhante entre desporto e política, baseando-se numa história real e emocionante. A equipe de pólo aquático da Hungria se prepara para os Jogos Olímpicos de Melbourne, na Austrália. Na preparação, enfrentam a União Soviética, da qual são “proibidos” de ganhar, por questões políticas. Os interesses propagandísticos de Kruschev permaneciam tão stalinistas quanto nos tempos do próprio Stálin.
Enquanto isso, os estudantes de Budapeste reúnem-se para exigir a abertura do regime. Pelas ruas, começa a revolta, com a adesão entusiasmada da população, que pretendia o arejamento democrático do sistema socialista de estilo soviético. Um dos jogadores da equipe de pólo se apaixona por uma liderança estudantil. Pegam em armas para exigir a expulsão dos russos. Vencem... fugazmente. Porque os russos retornam, esmagando a revolta, enquanto a equipe embarca para a Olimpíada. Sob ameaça de debandada dos atletas em plena competição, para equipes de outros países, resolvem se unir em busca da medalha de ouro, como forma de conforto e honra ao país novamente massacrado pelos taques soviéticos. Só que, no meio do caminho, na semifinal... novo e dramático jogo contra a União Soviética!
O filme é imperdível, valendo para os que gostam de história, mas principalmente pra jovens destes nossos tempos de individualismo perceberem de que forma juventudes podem se comportar, de forma solidária, buscando ideais e sonhos honrados de transformação da própria realidade. Muito bom filme. Aliás, faz pensar no porquê do Brasil não conseguir fazer um filme decente sobre futebol, por exemplo, com tantas histórias fantásticas que temos pra contar.
COTAÇÃO DCA: ***.
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A OUTRA – Mais uma produção inglesa sobre os qüiproquós casamenteiros de Henrique VIII na busca por uma mulher que lhe desse um filho homem. O tema já rendeu inúmeros grande filmes de cinema (O Homem que não vendeu sua Alma, sobre os dilemas de Thomas More no caso, é imperdível) e TV, séries (The Tudors, fraquinha, atualmente em cartaz), livros, novelas, romances, lendas, óperas, concertos de Rick Wakeman, etc.
E é muito interessante mesmo essa história fundadora da Grã-Bretanha, pois sem as peripécias conjugais do soberano, a Reforma Inglesa não existiria e, por conseqüência, o poder de fogo da Reforma européia luterana e calvinista seria diminuído, e a conseqüente plataforma para as revoluções burguesas não estaria dada. Mais interessante é que, após 06 casamentos (afora as inúmeras amantes), embora tenha obtido de sua terceira mulher, Jane Seymour, o herdeiro homem que tanto buscava (após a morte do pai, coroado como Eduardo VI, reinou pouco, falecendo adolescente) sobreveio o soberano mais viril que o país conhecera... Elizabeth, filha de Ana Bolena, que consolidaria o poder e a unidade britânicas, como Elizabeth I, a Rainha Virgem, sob cujo reinado austero floresceriam o teatro inglês de Shakespeare e Marlowe, as conquistas marítimas de Fracis Drake e o pensamento de Bacon. História, aliás, também contada em grandiosos filmes. Vale conferir, se você ainda não o fez, especialmente os dois dirigidos com um barroco bem “bollywwodiano”, pelo indiano Shekar Kappur, com a notável Cate Blanchet.
“A Outra”, baseado numa novela, trata das disputas das irmãs Bolena, Ana e Maria pela atenção do soberano em sua alcova real, impelidas por um pai inescrupuloso, em busca de títulos de nobreza e favores reais. Uma fotografia de tirar o fôlego, com direção de arte soberba, e geniais enquadramentos de câmera nos remetem, em cada take, para dentro de verdadeiras pinturas a óleo clássicas e deslumbrantes. Dá pra pegar o fotograma e pendurar na parede. Dirigido por um estreante, Justin Chadwick, que demonstra mão segura. Desempenho grandioso da lindíssima Natalie Portman, como Ana Bolena. Eric Bana, (o Hulk de Ang Lee), faz um atormentado Henrique VIII, mais delicado que o que se mostrou até agora em outras obras levadas à tela. Scarlet Johansson, assim, assim, mas não faz feio. De fundo, a presença sempre marcante da mais sexy atriz feiosa que é a esplêndida Kristyn Scott-Thomas.
O filme ilustra a condição da mulher na sociedade de então, ali posta como o mero ventre procriador, como objeto de consumo dos apetites reais e, pior, como moeda de troca para inescrupulosos jogos de poder. Mostra Ana Bolena buscando manipular esse jogo em favor próprio, como uma sobrevivente que tenta se manter à tona, através de expedientes nem sempre escrupulosos.
O final, trágico, é conhecido, com Ana executada por acusações, que - tudo indica - eram falsas, de traição, bruxaria e incesto. Mas Ana Bolena é a mãe de Elizabeth. Natalie Portman, no fim das contas, venceu. Como aliás, vence todas desde que estreou coadjuvando Jean Reno, ainda menina, no bom O Profissional, de Luc-Besson.
COTAÇÃO DCA: ****.
Categoria: POESIA, ARTE E CIA
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 10h28
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ÄGOSTINHO VAI À LUTA

Pedro Cardoso, o grande ator que faz o atrapalhado Agostinho da Grande Família, marcou um gol de placa! Foi no Festival de Cinema do Rio, na semana passada. Na apresentação do filme de Domingos de Oliveira, “Todo mundo tem problemas sexuais”, que produziu e em que atuou, apresentou um manifesto lúcido, corajoso e severo contra a pornografia reinante em todos as produções audiovisuais do mundo e do Brasil, em particular. Denunciou, por detrás das supostas “experiências artísticas”, “necessárias à narrativa”, a exploração da exposição nada sutil do corpo dos atores e atrizes, basicamente para satisfação da libido desmedida de diretores. Chegou a narrar os constrangimentos pelos quais passam atrizes novatas e sérias, constrangidas a cenas gratuitas. Acusou diretores de realizarem sessões privé com amigos para assistirem trechos picantes obtidos de atrizes novatas (corre que, neste ponto, a acusação seria contra Selton Mello, que estreou seu primeiro filme, onde atua a mulher de Cardoso).
O “Agostinho” falou e disse, amigos. Assista a um Hitchcock, um Woody Allen, ou (como diz Pedro Cardoso) a um Truffaut, e veja a economia, ou melhor, a ausência do explícito. A sugestão basta, se é necessário demonstrar que houve ou haverá sexo: luzes se apagam, corpos se enlaçam ainda semivestidos, uma mão cai para o lado, apaga-se uma luz... e pronto. Sabe-se o que houve. Afora a desnecessidade, representações de sexo em audiovisual são sempre ridículas e canhestras. O constrangimento inegável, os corpos se mexendo mecânicamente como batedeiras Britânia, por vezes a vã tentativa de segurar um lençol entre os corpos, os gemidos fake...
Sutileza bastaria. Lembram da cena mais sexy do cinema, de Rita Hayworth em “Gilda”, onde ela apenas despe... uma luva?
E não me venham com discursos de que “essa discussão está superada”, é “atraso”, ou “Pedro Cardoso não deve estar satisfeito com o próprio corpo”, e coisas do gênero!!! O grande ator seguiu o trilho da defesa da integridade da interpretação do artista e do respeito a este, como pessoa. Mas há mais. Essa licenciosidade em que as novelas, por exemplo, mergulharam - atendendo a interesses comerciais, para segurarem-se na disputa da audiência, que se torna mais selvagem entre canais abertos e mais competitiva entre TV aberta e canais pagos - torna a sala dos nossos lares verdadeiros palcos de "puteiro" (com perdão da má palavra). Você levaria seus filhos de oito ou nove anos pra ver uma “pole dance” ou uma “lap dance” num inferninho em Copa? Você levaria suas filhas de 05 anos pra se entrevistarem com a Bebel no calçadão da meia-noite, e pegarem umas dicas de maquiagem? Você deixaria que aquele triângulo amoroso entre 02 gays e uma mulher se realizasse no colchão do seu quarto? Não, você não deixaria! Mas você deixa!!! Porque é isso o que a TV vomita sobre as mentes indenes das famílias brasileiras.
Depois não venham me perguntar porque a sua filha de 11 anos engravidou! Depois não venham me dizer que os meninos de 07 anos estão agarrando menininhas de cinco na escola! Rá! Eu te respondo: Abra os olhos enquanto é tempo! Essa Babel-Babilônia-Babaca em que o mundo está se tornando é uma devoradora de inocências. Inocência, esse momento crisálida que os novos costumes arrebentam, liberando borboletas aleijadas, de pouco vôo. É que mentes se estragam. A libido se torna precoce. O contato visual não entendido com a sexualidade precoce provoca a precocidade da explosão hormonal e de apetites que seriam contidos até mais tarde. Mas não! Muitas meninas de 09 já produzem feromônios. Aí, uma das causas da pedofilia!
“Ah, que moralismo barato”... alguém dirá. Meu amigo, chafurdamos numa lama moral sem par. Você está aí, com a boca cheia desse estrago, embriagado com esse mundo de neón, tela de LCD, monitores e i-pods e não enxerga. Garotos começam a tentar reproduzir com as namoradas as cenas pornográficas a que assistem, se masturbando nas madrugadas. E meninas cedem, e como não ficam satisfeitas com o sexo precário em que foram coisificadas, tornam-se vorazes, tentando compensar em quantidade a qualidade que não há, coisificando também seus parceiros.
E não falta é estímulo. Sexo virou insumo de produção, para qualquer audiovisual. É o pó de pirlimpimpim da publicidade. É o molho de qualquer anúncio. E é tão forte, porque fisga apetites primais, de sobrevivência, animalescos e essenciais à preservação da espécie. Por aí, a juventude é fisgada. Por aí, em tempos de viagra, idosos são fisgados a um apetite que não realizam com as próprias esposas, numa idade em que o outono dos corpos aconselha o comedimento do respeito aos ciclos normais da vida. Mas não, o sexo é vendido como a única chave para a felicidade. E isso numa visão consumista, pois o sexo tem que ser urgente, rápido e descartável, pra dar lugar a uma nova aventura.
Não sou um puro, um moralista, mas tenho náuseas quando vejo pais permitindo, estimulando, criancinhas a reproduzirem a “dança do créu”, a posarem de mulher melancia e coisas do gênero. Parece um mundo de loucos, que não conseguem somar dois mais dois pra ver como é que se constrói o "quatro" da desgraça. Não conseguem ver que plantaram raízes no inferno, e agora reclamam dos frutos.
Pois bem. Pedro Cardoso subiu no meu conceito. Dizer o que disse, no ambiente em que disse, com a força que disse, foi um ato de coragem . Colegas, obviamente, o criticam, metem o malho, etc. Mas “Agostinho” prestou um grande serviço à “grande família” brasileira que ainda se quer digna deste nome.
*.*.*
Acesse o manifesto de Pedro Cardoso no blog criado por ele para o filme: em http://todomundotemproblemassexuais.zip.net/arch2008-10-05_2008-10-11.html#2008_10-09_10_40_01-5758122-0
Categoria: POLÍTICA E ATUALIDADES
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 10h00
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SUSTO

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Susto que soca o coração, que seca a garganta e oprime as bordas do cérebro. Fica aquele susto, rolando pelo corpo, passeando nas veias, como uma formiga com patas de fogo. Uma febre contida, que ferve o tutano dos ossos. Pequenas vertigens nos passeiam os neurônios, com suas árticas asas.
Difícil é o equilíbrio, no labirinto do susto. Pedimos mapas ao tempo, pedimos norte ao horizonte. Nada. O susto é calado e não ouve. Apenas nos olha com suas luas cheias de vento.
Ficamos aprisionados no susto, um tempo. À vezes, muito tempo. Nesse cômodo, o susto, que nos enclausura em seu aço concreto. Nesse cômodo, onde goteja um suor de vampiro. Ali, onde infiltra-se a umidade dos porões lamacentos.
Nossa coluna vertebral treme ao baque do susto, como se uma ilha pequena se derretesse embaixo dos pés. A custo, equilibramos a ânsia e a pergunta.
Mas aos poucos, se os pés ficam no chão, recobramos o afinco do pulmão que se foi. Aos poucos a neblina se corta e enxergamos um fio de sol. Como navios deixando a boca da tempestade, em algum momento, saímos do susto. Recobramos, então, uns alívios, uns suspiros, e aprendemos o valor da esperança. Aquela mesma, que deixávamos meio largada, como um utensílio, um casaco, uma enxada, quarando ao descuido, quando era tempo de sol.
Imprudentes, que somos. Os sustos virão. E os sustos espetam. Como agulhas fundas, espetam. Céleres como relâmpagos, sem aviso. É bom que estejamos preparados. Sustos são aprendizados. Pra nunca desvestirmos nossas capas de esperança.
É que a chuva do susto não dá sequer trovoada. Às vezes, nem céu cinzento. Simplesmente, o susto desaba. Mas a esperança, mesmo encharcada, ainda estende sua asa.
Categoria: EU E OS MEUS
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 16h40
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UM CULTO DAS CRIANÇAS

Ontem fui a um culto, na 2ª Igreja Batista em Petrópolis. Foi dedicado ao dia da crianças.
E não podia ter sido melhor, porque os corais, quartetos, lideranças... todos, se vestiram de crianças, por dentro e por fora... Ah, meu camarada, foi i-nes-que-cí-vel! Tinha diácono vestido de Homem Aranha; lideranças que se pintaram de verde sob camisetas em trapos, pra fazer o Hulk; o diretor da Escola Dominical vestido de Super-Homem, de capa e tudo! Até o Chapolim colorado apareceu subindo nos bancos!!! As crianças estavam sentadas no chão da igreja, na frente do palco. Depois dos esquetes – engraçadíssimos! - os ‘heróis’ se acomodaram entre elas, com seus uniformes e capas, pra ouvir a mensagem em que se explicou o verdadeiro super-herói, imune a kriptonitas, que é Jesus.
O coral Celebrai, do competentíssimo Maestro Júlio, entrou com seus rapazes e senhores com bonés de skatista atravessados na cabeça. Os naipes femininos, com arquinhos de antena de abelha, coroas de serpentinas coloridas, ou estrelas de prata, cantando com uma alegria transbordante de gestos e coreografias, a história da Arca de Noé. Um quarteto vocal daqueles dos bons tempos, quatro vozes lúcidas e harmonizadas, com baixos de verdade, tenores de cristal, imitou animais, miou, mugiu, cacarejou, escangalhou as crianças de rir.
A igreja cheia de bolas coloridas nas pilastras, arcos na entrada e no palco. Os adultos todos ali, rindo aquela risada pura, com gosto de berço. As crianças ali, luzindo como pepitas do ouro de Deus. Vi um velhinho lá no fundo, cortando suas lágrimas com as costas da mão. Uma dona de casa fazendo coreografias e abraçando as pessoas ao ritmo da canção dos pequenos, com lágrima nos olhos. Leituras bíblicas? Crianças as fizeram. Orações? Crianças entregaram suas preces doces, daquelas que entram direto no céu, sem pedir licença, são de casa, afinal.
O que é melhor? Tudo muito espiritual. A estranha reverência da alegria. Ou a incompreensível irreverência do espírito. Lembrei das festas judaicas. Lembrei de Jesus dizendo entre risos, a enfezados apóstolos, enquanto um menino puxava sua barba: “Deixar vir a mim as criancinhas... É delas, o Reino dos Céus!”. Ou então, com uma criança encarapitada no cangote: “Necessário vos é nascer de novo”, ou seja, tornarmo-nos crianças. E o que vi ali, naquela igreja abençoada? Simplesmente crianças miúdas, de 05 anos, rindo e cantando louvores, indo ao colo de Cristo. Mas, acima de tudo, vi crianças de 50 anos, de 80 verões, crianças curtindo essa infância que é a essência do espírito, esquecidas de problemas, desopilando as tragédias, cuspindo num riso os engasgos da alma... indo ao colo de Cristo!
Foi inesquecível pras crianças. Foi inesquecível pros adultos. Foi inesquecível pra Deus. Uma pureza se ergueu daquela igreja reunida em família, como aroma de bom sacrifício, ensinando que a vida é alegria, mesmo com percalços, mesmo com tropeços e sustos... A vida é alegria.
Faça a cada manhã no seu coração, uma festa assim. Decore a alma com balões de gás e pirulitos de feira. Confeite o seu dia com purezas e louvores límpidos. E lembre que Deus é Deus de alegrias.
Trinta sermões não diriam o que o regozijo coletivo e harmonioso ensinou ontem a quem estava naquela igreja, de pastor recentemente falecido (Edelto Barreto Antunes), mas cujo exemplo e liderança deixou justamente essas sementes, essas flores, esses louvores. Afinal, ele era o cara que interrompia o sermão pra descer do púlpito e dar um abraço naquele fiel que não via há uns meses. Adeus, cerimônia! Vale o amor, este era o seu lema. Foi o que, ontem, vi. O império do amor. Porque é assim que Deus é.
Categoria: DEUS, O MUNDO É TEU ALTAR
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 09h51
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